Da remada viking ao legado dos navegadores nórdicos: 5 experiências para mergulhar nessa história
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Celebração que embalou a vitória da Noruega sobre o Brasil na Copa reacende a curiosidade por uma cultura moldada pelo mar, pelos navios e pelas grandes travessias

Uma arquibancada inteira simulando o movimento dos remos, em perfeita sintonia, ao som de repetidos gritos de “Ro! Ro! Ro!”. A chamada remada viking tornou-se uma das imagens mais marcantes da participação da Noruega na Copa do Mundo de 2026.
A celebração ganhou ainda mais repercussão depois que a seleção norueguesa derrotou o Brasil por 2 a 1, no dia 5 de julho, no New York New Jersey Stadium. Com dois gols de Erling Haaland, a equipe avançou pela primeira vez às quartas de final de uma Copa do Mundo. A própria FIFA apresentou o torcedor Ole Frøystad como o nome por trás da coreografia que conquistou os estádios e as redes sociais.
Mas o gesto que viralizou vai muito além do futebol. Ele remete ao elemento que esteve no centro da expansão nórdica durante a Era Viking: a embarcação.
Construídos para navegar por fiordes, rios e mares abertos, os navios vikings tornaram-se símbolos de mobilidade, exploração, comércio e poder. Hoje, esse legado marítimo continua vivo em museus, sítios arqueológicos, experiências digitais e até passeios turísticos inspirados nas antigas embarcações escandinavas.
Aproveitando o interesse despertado pela celebração norueguesa, a Civitatis reuniu cinco experiências em quatro países para quem deseja conhecer diferentes dimensões desse universo.

1. Navegar em um barco inspirado nos vikings em Tenerife
Nem toda experiência viking precisa acontecer sob o frio escandinavo. No porto de Los Cristianos, no sul de Tenerife, nas Ilhas Canárias, os visitantes podem embarcar no Ragnarok, uma embarcação de madeira inspirada nos navios que navegaram pelo norte da Europa entre os séculos IX e XI.
O passeio segue pela costa da ilha com a proposta de avistar golfinhos e baleias em liberdade. Há opções com duas ou três horas de duração. Na versão mais longa, o roteiro inclui uma parada para banho no Atlântico e atividades temáticas conduzidas pela tripulação a bordo.
Mais do que uma reprodução histórica rigorosa, a experiência utiliza a estética viking para aproximar o visitante do mar e do imaginário das grandes travessias nórdicas.

2. Viajar no tempo com realidade virtual em Oslo
Na capital da Noruega, o The Viking Planet apresenta a cultura viking por meio de recursos digitais e experiências imersivas.
O espaço reúne hologramas em tamanho real, objetos tridimensionais interativos, telas educativas e uma sala de cinema com projeção em 270 graus. Uma das atrações principais é The Ambush, experiência de realidade virtual com aproximadamente 12 minutos que transporta o público para a costa oeste da Noruega há mais de mil anos.
A produção recebeu o prêmio de Melhor Filme de Realidade Virtual no Aesthetica Film Festival, em 2019. O conteúdo do museu também está disponível em 12 idiomas, incluindo português.
É uma alternativa especialmente interessante para quem deseja compreender a Era Viking utilizando as ferramentas tecnológicas atuais, sem deixar de lado a pesquisa histórica e a narrativa sobre a vida cotidiana daquele período.

3. Conhecer os mistérios e as lendas de Oslo
A história nórdica também está repleta de mitos, criaturas e narrativas transmitidas ao longo de gerações.
O tour dos mistérios e lendas de Oslo parte da Prefeitura da capital norueguesa e percorre o centro histórico durante aproximadamente duas horas. O trajeto aborda histórias de vikings, bruxas, fantasmas, trolls e seres mitológicos.
O guia também apresenta lendas relacionadas a um suposto reino subterrâneo habitado por criaturas mágicas e relatos associados à Fortaleza de Akershus. O passeio termina nas proximidades da Catedral de Oslo.
A proposta mistura caminhada urbana, folclore e história, mostrando como a mitologia nórdica continua presente na identidade cultural da cidade.

4. Encontrar navios de mil anos em Roskilde
A cerca de 30 minutos de trem de Copenhague está Roskilde, uma das cidades mais importantes para quem deseja compreender a relação entre os vikings e o mar.
O principal destaque é o Museu dos Barcos Vikings, instalado junto ao fiorde. Sua exposição permanente apresenta os cinco navios Skuldelev, encontrados nas águas de Roskilde e preservados como testemunhos da construção naval e das rotas marítimas da Era Viking.
O museu também é responsável pelas pesquisas relacionadas ao Roskilde 6, considerado o navio viking mais longo já encontrado. A embarcação de guerra teria aproximadamente 37,4 metros, espaço para 78 remadores e uma tripulação total estimada em cerca de 100 pessoas. O projeto de uma futura reconstrução em tamanho real está sendo desenvolvido pela instituição.
Além do museu, o roteiro por Roskilde pode incluir a catedral da cidade, reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, e passeios em embarcações tradicionais pelo próprio fiorde. A excursão apresentada pela Civitatis permite que o visitante permaneça na cidade depois do passeio guiado para explorar essas atrações. Transporte ferroviário e ingresso do museu devem ser contratados separadamente.
5. Descobrir a herança viking de Reykjavík
Na Islândia, a história dos primeiros colonizadores está profundamente ligada ao mar. Um dos caminhos para começar essa descoberta é percorrer Reykjavík a pé.
O free tour pela capital islandesa parte do edifício Harpa e passa por pontos como a igreja Hallgrímskirkja, o lago Tjörnin e a sede do Parlamento da Islândia. Durante aproximadamente duas horas, o passeio apresenta a formação da cidade e diferentes aspectos de sua herança nórdica.
A história política islandesa também remonta à Era Viking. O Alþingi, Parlamento da Islândia, foi criado em Þingvellir no ano 930 e é reconhecido como uma das instituições parlamentares mais antigas do mundo.
Reykjavík ainda conserva vestígios arqueológicos do período de colonização. No centro da cidade, por exemplo, a exposição Aðalstræti incorpora as ruínas de uma casa nórdica datada do século X.
Uma história que continua navegando
Das evidências arqueológicas preservadas na Dinamarca às experiências virtuais de Oslo, o universo viking permanece ligado à capacidade humana de construir embarcações, enfrentar o desconhecido e atravessar grandes extensões de água.
A remada que tomou conta dos estádios durante a Copa transformou essa memória marítima em uma celebração contemporânea. Fora dos campos, museus, cidades históricas e experiências náuticas ajudam a revelar que os vikings não foram apenas guerreiros: foram também navegadores, construtores, comerciantes e exploradores que deixaram marcas profundas na história do norte da Europa.
Por: Redação Mundo Mar
Foto: Divulgação




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