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Marina Itajaí Boat Show 2026 confirma a força de uma economia que vai muito além dos barcos

  • há 22 minutos
  • 7 min de leitura

Quarta edição reuniu mais de 60 embarcações, tecnologia, experiências, debates, turismo, mercado imobiliário e soluções sustentáveis, transformando a Marina Itajaí em uma vitrine completa da Economia do Mar do setor náutico



Durante quatro dias, a Marina Itajaí deixou de ser apenas o endereço de um salão náutico para se transformar em um ponto de encontro entre indústria, comércio, serviços, turismo, tecnologia, conhecimento e poder público.


Realizado entre os dias 2 e 5 de julho, o Marina Itajaí Boat Show 2026 encerrou sua quarta edição mostrando que o valor econômico de uma embarcação não termina no estaleiro. Ao redor de cada barco existe uma cadeia formada por motores, equipamentos eletrônicos, marinas, infraestrutura flutuante, manutenção, seguros, crédito, formação profissional, gastronomia, hospedagem, imóveis, turismo e inúmeros serviços especializados.


O evento reuniu mais de 60 embarcações, com modelos de aproximadamente 19 a 100 pés, além de motores, motos aquáticas, acessórios, equipamentos e tecnologias voltadas à navegação. A realização em um ambiente integrado ao Rio Itajaí-Açu permitiu que grande parte dos barcos fosse apresentada na água e que alguns modelos participassem de test-drives.



Um evento que começou com representatividade institucional


A cerimônia de abertura reuniu autoridades municipais, representantes da Marinha do Brasil, dirigentes de entidades setoriais, empresários e lideranças da indústria náutica.

Participaram do ato oficial o prefeito de Itajaí, Robison Coelho; o vice-prefeito Rubens Angioletti; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Rodrigo Bonfanti; o presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik; o diretor da Marina Itajaí, Carlos Gayoso; o fundador da Marina Itajaí, Manuel Carlos Maia de Oliveira; o presidente da ACATMAR, Leandro “Mané” Ferrari; o presidente da ACOBAR, Eduardo Colunna; e o capitão de Mar e Guerra Warisson Guimarães Alves, delegado da Capitania dos Portos de Itajaí.


A presença conjunta dessas lideranças mostrou que o setor começa a ocupar um espaço mais amplo nas discussões sobre desenvolvimento econômico. A náutica passou a ser percebida não apenas como uma atividade de lazer, mas como uma economia capaz de gerar empregos, exportações, arrecadação, inovação e oportunidades profissionais.


O apoio institucional da Prefeitura de Itajaí, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação, teve como objetivos declarados fortalecer a Economia Azul, atrair investimentos, fomentar o turismo de negócios e consolidar o município como um dos principais polos da indústria náutica brasileira.



Dos barcos de entrada aos grandes iates


A diversidade de embarcações foi um dos pontos importantes desta edição. O visitante encontrou desde modelos compactos e voltados às primeiras experiências de navegação até grandes iates com projetos sofisticados, amplas áreas de convivência e soluções avançadas de engenharia.


A exposição reuniu fabricantes brasileiros e marcas internacionais, demonstrando a capacidade da indústria instalada no país e, especialmente, em Santa Catarina.


A Azimut Yachts apresentou os modelos produzidos em sua fábrica brasileira, instalada em Itajaí — única unidade industrial da marca fora da Itália. A presença reforçou a inserção do município na cadeia global de construção de embarcações de alto padrão.


A Schaefer Yachts levou uma linha diversificada e teve entre os destaques a Schaefer 600, com varandas laterais retráteis, três suítes e ambientes integrados. A marca também apresentou modelos como a V34, mostrando desde embarcações esportivas e abertas até projetos maiores destinados a viagens e permanência prolongada a bordo.


A Ferretti 850R, reinterpretada pelo Grupo OKEAN para o mercado brasileiro, chamou atenção pela nova configuração da popa e pela ampliação da conexão entre a área interna e o mar.


A Sessa apresentou a F60 com T-Top, embarcação fabricada na Itália a partir de um projeto desenvolvido para atender às preferências do público brasileiro.


Entre as estreias estiveram ainda a Ventura V370 Crossover, a Ross SLR 340 Legend, a FS 375 HT, a Focker 355 GTS e a Diantonio Ghost. A Garnet Offshore participou pela primeira vez do salão catarinense com dois catamarãs, incluindo propostas voltadas à pesca e à eficiência operacional.


Essa variedade ajudou a desfazer uma visão ainda comum de que o mercado náutico é formado apenas por grandes iates. O evento mostrou diferentes portas de entrada: compra tradicional, cotas compartilhadas, aluguel, consórcio, embarcações compactas, motos aquáticas e soluções que ampliam o uso de equipamentos já existentes.



JAQ H1 transformou-se em palco de inovação e conhecimento


Um dos elementos mais simbólicos do Marina Itajaí Boat Show 2026 foi a presença do JAQ H1, embarcação brasileira de 36 metros criada para funcionar como barco-escola e laboratório flutuante.


O projeto utiliza uma célula a combustível alimentada por hidrogênio de baixo carbono para gerar a energia necessária aos sistemas de hotelaria, incluindo iluminação, climatização, cozinha e demais serviços de bordo. A proposta prevê ainda a evolução para um sistema híbrido de propulsão, combinando hidrogênio e motorização convencional.



Mais do que permanecer atracado como uma atração tecnológica, o JAQ H1 foi incorporado à programação. A embarcação recebeu a apresentação da Banda da Marinha durante a abertura e sediou o Náutica Talks, ciclo de painéis e debates realizado ao longo do evento que nesta edição teve a curadoria conjunta do Grupo Náutica e Mané Ferrari - Presidente da ACATMAR - Associação Náutica Brasileira


A bordo foram discutidos assuntos relacionados à Economia Azul, inovação, Base Industrial de Defesa, sustentabilidade, turismo náutico, infraestrutura, desenvolvimento econômico e qualificação profissional.


O JAQ H1 também recebeu uma apresentação sobre os impactos previstos para a próxima parada da The Ocean Race em Itajaí, em 2027. O estudo divulgado durante o evento estimou movimentação econômica de R$ 270 milhões, público de aproximadamente 420 mil pessoas e retorno de R$ 6,75 para cada real investido na etapa. Esses números são projeções relativas à The Ocean Race 2027, e não ao Boat Show.


Ao reunir embarcação, energia limpa, pesquisa, educação e debates sobre políticas públicas, o JAQ H1 mostrou uma direção importante para o futuro do setor: o barco deixa de ser apenas produto e passa também a ser plataforma de conhecimento.



Tecnologia apareceu dentro e fora das embarcações


O shopping náutico flutuante ampliou a presença de fornecedores de equipamentos, eletrônica, motorização, infraestrutura, acessórios e serviços.


Entre as soluções apresentadas estavam dessalinizadores capazes de transformar água salgada em água doce a bordo, com produção anunciada entre 130 e 360 litros por hora.


A demonstração mostrou como tecnologias antes concentradas em grandes embarcações começam a chegar a diferentes perfis de navegação.


Motores também ocuparam espaço relevante. Volvo Penta, Yanmar, Yamaha e Hidea apresentaram soluções para lanchas, veleiros e diferentes faixas de potência. A Volvo destacou o motor V8 350 e o sistema IPS, enquanto a Yanmar levou equipamentos compactos e voltados à redução de ruídos.


A Kawasaki apresentou 11 motos aquáticas, incluindo modelos de entrada e versões de alto desempenho. O público também encontrou a linha 2026 da Sea-Doo, veículos Can-Am e diferentes alternativas para quem busca experiências de lazer na água e em terra.

Outro produto que despertou curiosidade foi o Wave Boat Mormaii, estrutura acoplada a uma moto aquática que amplia sua capacidade e permite transportar até 11 pessoas. A solução exemplifica como a inovação pode criar novos usos a partir de uma plataforma já conhecida pelo público.


Também estiveram presentes empresas de infraestrutura flutuante, como a PierPlas, demonstrando sistemas modulares que podem ser montados e adaptados para formar píeres, passarelas, plataformas para motos aquáticas e atracadouros.


Experiências aproximaram as famílias da navegação


O Marina Itajaí Boat Show não foi estruturado apenas para quem já possui uma embarcação. Passeios à vela, navegação em barco movido a energia solar e test-drives criaram oportunidades para que novos públicos tivessem contato com a água.


O barco solar da equipe Vento Sul, da Universidade Federal de Santa Catarina, apresentou uma experiência de navegação elétrica, silenciosa e sem emissões durante a operação. Os passeios à vela realizados em parceria com o Itajaí Sailing Team também aproximaram visitantes da prática náutica.


A presença de famílias foi perceptível durante os quatro dias. Crianças, jovens e adultos circularam pelas passarelas, conheceram embarcações e observaram de perto tecnologias que normalmente permanecem restritas aos estaleiros, marinas ou ambientes técnicos.


Essa aproximação tem valor estratégico. A formação de um mercado náutico consistente depende não apenas de compradores atuais, mas da criação de uma cultura ligada à navegação, à segurança, ao esporte, ao turismo e às profissões relacionadas ao mar.



Moda, automóveis, imóveis e gastronomia ampliaram o alcance


A edição de 2026 mostrou que um salão náutico pode dialogar com diferentes segmentos econômicos.


O espaço de moda recebeu ativações e o Desfile FIT, enquanto a praça gastronômica criou uma área de convivência com vista para o Rio Itajaí-Açu. As transmissões dos jogos da Copa do Mundo e as ações interativas ajudaram a manter o visitante por mais tempo no evento.


Automóveis de marcas como McLaren e Lamborghini também chamaram atenção, estabelecendo uma conexão entre o mercado náutico e outros setores ligados à mobilidade, ao design e ao segmento de alto padrão.


No mercado imobiliário, 11 empreendimentos participaram da exposição. A presença de construtoras e incorporadoras mostrou a relação crescente entre marinas, residências, bairros planejados, turismo e valorização de áreas urbanas próximas à água.


Esse conjunto não deve ser visto apenas como uma associação ao luxo. Ele revela como o setor náutico se conecta com hotelaria, gastronomia, construção civil, arquitetura, mercado imobiliário, transporte, eventos e turismo de negócios.


Os números que já podem ser confirmados


O Marina Itajaí Boat Show 2026 reuniu mais de 60 embarcações e 11 empreendimentos imobiliários, além de dezenas de empresas dos segmentos de motores, acessórios, serviços, tecnologia, infraestrutura e lifestyle.


A organização trabalhava com a expectativa de superar a marca de 20 mil visitantes. Como referência, a edição de 2025 registrou 22 mil pessoas, das quais 18% vieram do Paraná.


O valor real está na cadeia que o evento tornou visível


Os barcos são a parte mais visível de um salão náutico, mas não representam sozinhos o alcance econômico do setor.


Para que uma embarcação chegue à água, são necessários profissionais de projeto, engenharia, laminação, marcenaria, elétrica, mecânica, pintura, acabamento e controle de qualidade. Depois da venda, entram em cena marinas, postos de abastecimento, oficinas, despachantes, seguros, equipamentos de segurança, eletrônica, treinamento, turismo, alimentação e hospedagem.


Um evento como o Marina Itajaí Boat Show coloca todas essas atividades em movimento ao mesmo tempo.


Durante os quatro dias, empresas apresentaram produtos, compradores compararam modelos, fornecedores estabeleceram contatos, autoridades ouviram demandas, profissionais discutiram qualificação e famílias descobriram novas formas de viver a água.


Esse talvez seja o maior resultado da edição de 2026: mostrar, de forma concreta, que a Economia do Mar do setor náutico não se resume ao valor de um barco. Ela se mede pela quantidade de empregos, serviços, negócios, tecnologias e oportunidades criadas ao redor dele.


Itajaí, sede de estaleiros, empresas, porto, marina e grandes eventos internacionais, voltou a demonstrar que cidades conectadas à água podem transformar sua vocação geográfica em desenvolvimento econômico.


O Marina Itajaí Boat Show encerrou sua quarta edição, mas deixou um recado que permanece: quando indústria, turismo, conhecimento, poder público e iniciativa privada navegam na mesma direção, o setor náutico deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a ser parte estratégica da economia do país.


Por: Redação Mundo Mar

Fotos Mundo Mar

 
 
 

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