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Barco Brasil é o grande campeão entre o Sharps da Globe 40

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

O Barco Brasil escreveu um capítulo histórico na vela oceânica brasileira neste domingo (20). Os velejadores José Guilherme Caldas e Luiz Bolina conquistaram o título da Globe40, regata de volta ao mundo em duplas, entre os barcos Sharp. Também garantiram o terceiro lugar geral na disputa, atrás do francês Crédit Mutuel, o campeão geral, e o Belgium Ocean Race, vice-campeão, ambos barcos da categoria Scow.


A última etapa, com 4.290 milhas náuticas entre Recife (BRA) e Lorient (FRA), foi concluída em 20 dias e sintetizou a resiliência da campanha brasileira. Após um início desafiador próximo ao litoral nordeste do país, marcado pela presença de sargaçosue prejudicaram a velocidade do barco, o time brasileiro assumiu o controle da disputa na classe Sharp e passou a administrar a vantagem sobre o principal adversário direto, o canadense Wilson Around The World.


Com estratégia consistente, a equipe manteve-se próxima à rota do rival até os Açores, evitando qualquer risco de perda de posição. Com a vantagem consolidada, o foco passou a ser o duelo com os franceses do Free Dom. Já na aproximação da Espanha, em condições de vento mais intenso, com rajadas de 40 nós, o balão se rompeu, comprometendo o desempenho momentâneo da embarcação.


O incidente permitiu a aproximação do Free Dom, que aproveitou melhores condições de vento nas milhas finais e cruzou a linha de chegada à frente entre os barcos Sharp. Ainda assim, o Barco Brasil chegou com apenas cinco milhas náuticas de diferença, garantindo o título da categoria no acumulado geral.


“É incrível que, depois de tantos dias de disputa, a gente chegue praticamente no mesmo minuto! O Barco Brasil é o campeão da Globe40 na classe Sharp, e somos o terceiro no geral. Gostaríamos de ter vencido essa última perna, mas o fato de termos garantido o título mostra que fomos bem na competição como um todo, que é o que realmente importa”, destacou José Guilherme Caldas.



Campanha vitoriosa


A campanha brasileira foi marcada por consistência e alto nível técnico, com presença no pódio em seis das sete etapas da Globe40: três vitórias (Cádiz, Mindelo e Sydney), três segundos lugares (Prólogo, Reunião e Recife) e um quinto lugar em Valparaíso.


O feito ganha ainda mais relevância diante das condições enfrentadas pela dupla. O Barco Brasil foi o único time da competição sem patrocínio, sem estrutura profissional completa e sem tripulantes suplentes — algo permitido pelo regulamento. A bordo, apenas dois velejadores amadores durante toda a volta ao mundo. O skipper José Guilherme Caldas ainda conciliou a competição com sua atuação como médico em São Paulo, atendendo pacientes durante as paradas da regata.


A conquista coloca o Barco Brasil em um seleto grupo da vela nacional. Esta foi apenas a segunda participação brasileira em uma regata de volta ao mundo, após o histórico Brasil 1, comandado por Torben Grael, que terminou em terceiro lugar na Volvo Ocean Race 2005/2006.


Considerada um dos maiores desafios do esporte mundial em duplas, a Globe40 é disputada com barcos Class40 — embarcações de 40 pés, extremamente exigentes, sem conforto a bordo e preparadas para enfrentar condições extremas de mar e clima. A segunda edição contou com sete equipes internacionais e teve início com prólogo em Lorient, seguido por etapas em Cádiz, Mindelo, Reunião, Sydney, Valparaíso e Recife, antes da chegada final na França.



Visibilidade contra o AVC


Mais do que a disputa esportiva, o Barco Brasil nasceu para ampliar a divulgação da campanha de prevenção e combate ao AVC. Comandante do Barco Brasil ao lado de Luiz Bolina, o Professor Doutor José Guilherme Caldas desenvolveu ferramentas de tratamento e monitoramento do AVC. O projeto na Globe40 busca mostrar que conhecimento e atitude salvam vidas, transformando o oceano em uma metáfora de superação e consciência.



Vaquinha


O Barco Brasil lançou uma campanha de financiamento coletivo na reta final da Globe40, regata de volta ao mundo em duplas, após o projeto atingir cerca de R$ 3 milhões em custos acumulados desde o início da preparação e da competição.


A campanha está na Catarse -- https://www.catarse.me/projeto_barco_brasil


''Na etapa anterior de Valparaiso no Chile para Recife o barco sofreu diversas avarias devido às condições severas de vento e mar, exigindo reparos e reposição em Velas, Instrumentos, entre outros Equipamentos, o que demandou um aporte financeiro expressivo e de certa forma inesperado'', explicou o comandante.


Sem patrocínio, o projeto teve todos os aportes feitos até aqui pelo skipper José Guilherme Caldas, o que levou a equipe a buscar apoio externo neste momento da campanha. Os danos mais recentes exigiram reparos e reposição de velas, instrumentos e outros equipamentos de bordo, gerando um custo elevado e inesperado antes da largada final.


A iniciativa de financiamento coletivo surge, assim, como uma tentativa de dividir com apoiadores e entusiastas da vela o esforço para manter o Barco Brasil competitivo até o fim da regata.




A Globe40


A Globe40 reúne sete veleiros de diferentes países e utiliza um sistema de pontuação acumulada em que vence quem somar menos pontos ao final do percurso. A competição é disputada em barcos Class40, divididos entre as categorias Scow, de proa larga e projeto mais recente, e Sharp, de proa fina — divisão que também conta com premiação específica ao término da volta ao mundo. A regata teve um prólogo em Lórient, na França, no final de agosto, e largada em setembro no porto espanhol de Cádiz. De lá, passou por Mindelo, em Cabo Verde, a Ilha Reunião, na costa sul-africana, Sydney, na Austrália, e Valparaíso, no Chile.



 
 
 

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