top of page

Argentario Sailing Week tem mudanças na liderança e duelo entre veleiros históricos

  • há 2 horas
  • 6 min de leitura

Segundo dia teve ventos de até 16 nós, vitória do Marilee entre os Gaff Vintage, homenagem a tripulante da Freya e celebração dos 110 anos do Rowdy



A 25ª Argentario Sailing Week – Miramis Trophy chegou ao segundo dia de competições com novas disputas, mudanças importantes na classificação e condições novamente favoráveis à vela no Golfo do Argentario, na Toscana.


Nesta sexta-feira, 26 de junho, cerca de 50 veleiros clássicos e de época, provenientes de dez países, retornaram ao mar para uma prova marcada por vento constante de oeste entre 12 e 16 nós. A intensidade foi ligeiramente superior à registrada na abertura das regatas e exigiu ainda mais preparo físico, leitura tática e precisão das tripulações.

Antes da competição, no entanto, o ambiente foi de silêncio e solidariedade.


Frota presta homenagem a Marco Borghi


O briefing do segundo dia começou com uma homenagem a Marco Borghi, integrante da tripulação do veleiro Freya, que morreu repentinamente após passar mal no dia anterior e ser levado ao hospital de Grosseto.


Representantes do Yacht Club Santo Stefano, do Comitê Organizador e das tripulações participantes observaram um minuto de silêncio. Como demonstração de respeito e união, as embarcações também navegaram com suas bandeiras a meio-mastro.


Depois da homenagem, a frota seguiu para o campo de regatas levando ao mar a memória do velejador.


A organização destacou que o próprio dia de competição, marcado pela beleza das embarcações navegando juntas, transformou-se em uma homenagem silenciosa ao tripulante da Freya.



Percurso técnico exige estratégia e preparo físico


A largada foi realizada às 11 horas. Diante da estabilidade da direção do vento, o Comitê de Regata definiu dois percursos.


A maior parte das classes enfrentou um trajeto de 14,5 milhas náuticas, enquanto a categoria Cruiser disputou uma rota mais curta, com 9,9 milhas náuticas.


Apesar de menor do que o percurso utilizado no primeiro dia, a prova principal apresentou maior dificuldade técnica. Os veleiros precisaram completar três longos trechos de contravento, com sucessivas mudanças de bordo.


A configuração colocou à prova a leitura tática, a coordenação das manobras e o condicionamento das equipes.


Para Marco Poma, comodoro do Yacht Club Santo Stefano e diretor das atividades marítimas, o campo de regatas voltou a demonstrar condições próximas do ideal para a vela oceânica.


Segundo ele, a estabilidade do vento permitiu uma competição de alto nível, na qual as qualidades técnicas das embarcações e das tripulações ficaram evidentes.


Marilee vence novo duelo entre os “Fighting Forties”


Um dos principais momentos do dia aconteceu na categoria Gaff Vintage, com mais um confronto entre os históricos veleiros da classe New York 40.


Desta vez, a vitória ficou com o Marilee, de Alessandra Angelini, representante do Yacht Club Santo Stefano. O Chinook, de Paolo Zannoni, terminou em segundo, enquanto o Rowdy, de Donna Dyer, ficou na terceira colocação da prova.


O desempenho levou o Marilee à liderança provisória da classificação geral da categoria após duas regatas. Rowdy aparece em segundo lugar e Chinook ocupa a terceira posição.


Projetados por Nathanael G. Herreshoff, os veleiros New York 40 foram construídos originalmente para integrantes do New York Yacht Club. Conhecidos como “Fighting Forties”, ou “Quarentões Guerreiros”, tornaram-se referência pela competitividade e pelo desempenho nas regatas.


Dos 14 exemplares originalmente construídos, apenas alguns continuam navegando. Três deles Marilee, Chinook e Rowdy estão reunidos nesta edição da Argentario Sailing Week.


Hallowe’en permanece na frente entre os Big Boats


Na categoria Big Boats, o Hallowe’en, de Inigo Strez, conquistou a segunda vitória consecutiva e manteve a liderança geral.


O Viveka, de Keith Mills, permaneceu na segunda colocação. A novidade no pódio foi o Mariella, de Carlo Falcone, que avançou para o terceiro lugar.


Entre os Marconi Vintage, o Leonore, de Mark Faulkner, venceu novamente e preservou a liderança da categoria. Jill, de Alessandro Maria Rinaldi, passou a ocupar a segunda colocação, enquanto Bob Kat II, de Cristiana Monina, avançou para o terceiro lugar.


Na classe Classic, o Crivizza, de Ariella Cattai, também repetiu a vitória e permaneceu no topo. Os dois representantes da Marinha Italiana trocaram posições: Penelope subiu para o segundo lugar e Corsaro II passou a ocupar a terceira colocação.


O Ojalà, de Susan Carol Holland, conquistou mais uma vitória entre os Classic IOR e segue na liderança geral. Airone V, de Giuseppe Albano, aparece em segundo, seguido pelo Sagittarius, de Thierry Laffitte.


Star Sapphire e Lithian assumem lideranças


A segunda regata provocou mudanças importantes em outras categorias.


Na Cruiser, o Star Sapphire, de Jacob Glatz, venceu a prova e assumiu a liderança geral. O Eugenia V, da Samanna Yachting, caiu para a segunda posição, enquanto o Vistona, de Giovanni Battista Borea d’Olmo, permaneceu em terceiro.


Na Swan Classic, o Lithian, de Cattaneo e Mascheroni Stianti, conquistou a vitória e passou a liderar a classificação. Matchless, de Giacomo Bei, aparece na segunda colocação e Grampus II, de Matteo D’Agostino, segue em terceiro.


Já na Spirit of Tradition, o Flight of Durgan, de David e Alexandra Grylls, venceu novamente e manteve a primeira posição. Freya permanece em segundo lugar e Pareltje, de Pieter Taselaar, ocupa o terceiro.


Vencedores do segundo dia

Os vencedores das oito categorias na segunda regata foram:


Big Boats: Hallowe’en

Gaff Vintage: Marilee

Marconi Vintage: Leonore

Classic: Crivizza

Classic IOR: Ojalà

Cruiser: Star Sapphire

Spirit of Tradition: Flight of Durgan

Swan Classic: Lithian


Os resultados ainda eram provisórios após o segundo dia e poderiam sofrer alterações nas regatas seguintes.



Rowdy celebra 110 anos de história


Além das disputas esportivas, a edição comemorativa da Argentario Sailing Week continua apresentando ao público embarcações que atravessaram diferentes gerações da vela.


No segundo dia, o destaque histórico foi o Rowdy, veleiro que completa 110 anos em 2026.


Lançado em 1916, o barco foi projetado por Nathanael G. Herreshoff e integra a histórica classe New York 40. Seu primeiro proprietário foi Holland Sackett Duell, então senador do estado de Nova York, cuja família manteve a embarcação por 25 anos.


Depois de passar por um período de deterioração, o Rowdy foi recuperado a partir de 1998 e retornou às grandes competições internacionais. Desde então, conquistou resultados expressivos em regatas de veleiros clássicos na Europa.


Entre as vitórias estão a categoria Vintage do Panerai Classic Yachts Challenge, conquistada em diferentes temporadas, e a tradicional regata Bailli de Suffren, entre Saint-Tropez e Malta.


Desde 2013, o veleiro pertence a Howard e Donna Dyer.


Em 2022, o Rowdy perdeu seu mastro durante uma tempestade com vento próximo de 40 nós em uma regata realizada em Imperia. Após o incidente, a embarcação voltou a utilizar uma configuração de velas próxima da original de 1916, respeitando também adaptações desenvolvidas pelo próprio Herreshoff.


O Rowdy possui 19,79 metros de comprimento, 4,40 metros de boca e calado de 2,70 metros. Mais de um século depois de seu lançamento, continua participando de competições de alto nível.



Compromisso com a proteção do mar


A programação do segundo dia também incluiu uma visita exclusiva de velejadores e integrantes do Yacht Club Santo Stefano ao navio-escola Palinuro, da Marinha Italiana.

Durante a atividade, Marina Gridelli, representante da Marevivo Toscana, entregou ao presidente do Yacht Club Santo Stefano, Alessandro Maria Rinaldi, a bandeira da organização ambiental.


O símbolo foi hasteado inicialmente a bordo do Palinuro e, posteriormente, no mastro do Yacht Club Santo Stefano.


O gesto representou o compromisso compartilhado entre as entidades com a educação ambiental, a valorização da cultura marítima e a proteção dos mares.


A presença do Palinuro, navio-escola de 69 metros, amplia o significado da edição comemorativa. Enquanto os veleiros históricos preservam técnicas, projetos e conhecimentos desenvolvidos ao longo de mais de um século, a embarcação da Marinha Italiana atua na formação das novas gerações de profissionais do mar.


Tradição transmitida entre gerações


A cultura da vela também aparece nas relações familiares presentes na competição.

Entre os participantes estão Federico Passoni, navegando no Leonore ao lado do pai, Enrico; Federico Colaninno, integrante da tripulação do Chinook com o pai, Nando; e Federico Piani, que compete no Marilee enquanto seu pai, Mauro Piani, participa da disputa a bordo do Leonore.


As histórias demonstram como o conhecimento da vela, a convivência com as embarcações e a paixão pelo mar continuam sendo transmitidos entre gerações.


Competição segue até este domingo


A Argentario Sailing Week – Miramis Trophy continua com novas provas até domingo, 28 de junho.


Ao final das regatas, serão conhecidos os vencedores das oito classes e das premiações especiais da edição. A cerimônia está programada para as 18 horas, no Race Village instalado no píer de La Pilarella, em Porto Santo Stefano.


Depois de dois dias, a competição confirma sua capacidade de reunir esporte de alto nível, preservação do patrimônio naval, formação marítima, turismo e compromisso ambiental.


Embarcações centenárias não estão apenas expostas no Golfo do Argentario. Elas seguem competindo, cruzando a linha de chegada e escrevendo novos capítulos de uma história que permanece viva no mar.


Por: Redação Mundo Mar

Fotos: Marco Solari e Valerio Pollio

 
 
 

Comentários


bottom of page