top of page

Vento ideal e duelos entre lendas marcam primeiro dia da Argentario Sailing Week

  • 26 de jun.
  • 5 min de leitura

Com Torben Grael entre os grandes nomes presentes, abertura das regatas teve ventos de até 16 nós, disputas equilibradas e o histórico Hallowe’en na liderança dos Big Boats



A fase esportiva da 25ª Argentario Sailing Week – Miramis Trophy começou em grande estilo no Golfo do Argentario. Depois da abertura oficial da programação, as embarcações clássicas e vintage foram para a água nesta quinta-feira, 25 de junho, dando início aos quatro dias de disputas em Porto Santo Stefano, na Toscana.


O primeiro dia confirmou as condições que transformaram a região em um dos campos de regata mais valorizados do Mediterrâneo. Com vento de oeste entre 12 e 16 nós, mar calmo e boa visibilidade, as tripulações encontraram o cenário ideal para uma prova técnica, equilibrada e marcada por cruzamentos próximos entre embarcações que carregam décadas e algumas até mais de um século de história.


A organização informou, no boletim do primeiro dia, a participação de 50 iates clássicos e vintage, provenientes de dez países e distribuídos em oito classes.


Na matéria de abertura publicada pelo Mundo Mar, foi utilizado o número de 45 embarcações, correspondente à lista oficial pública atualizada em 23 de junho. Com o início das competições, a organização passou a comunicar oficialmente o total de 50 participantes. Por isso, esta atualização da cobertura adota o número mais recente divulgado pelo evento.



Cerimônia reúne autoridades e representantes da tradição marítima italiana


Antes da largada, a Câmara do Conselho da Prefeitura de Monte Argentario recebeu a cerimônia oficial de boas-vindas da competição.


O encontro contou com autoridades civis e militares, representantes institucionais e comandantes das embarcações participantes. Um dos momentos de destaque foi a tradicional troca de insígnias entre o navio-escola Palinuro, da Marinha Italiana, o Município de Monte Argentario e o Yacht Club Santo Stefano.


Participaram do ato o comandante do Palinuro, Gian Luca Montella; o prefeito de Monte Argentario, Arturo Cerulli; e o presidente do Yacht Club Santo Stefano, Alessandro Maria Rinaldi.


A cerimônia reforçou a ligação entre a regata, o território e a tradição naval italiana. Também participaram representantes da Miramis e do Comitê Internacional do Mediterrâneo para a Vela Clássica.


Na sequência, os comandantes receberam as orientações técnicas, operacionais e de segurança para o primeiro dia de competição.



Vento térmico chegou no momento esperado


De acordo com Marco Poma, comodoro do Yacht Club Santo Stefano e diretor das atividades marítimas, a brisa térmica começou a se estabelecer por volta do meio-dia, permitindo que o percurso fosse montado e que as primeiras largadas acontecessem pouco depois das 12h15.


O vento permaneceu constante, soprando de oeste, enquanto o mar calmo favoreceu uma disputa técnica e bastante próxima.


A leitura do campo de regata teve papel determinante. As embarcações que navegaram mais perto da costa conseguiram encontrar condições mais favoráveis na primeira perna contra o vento. Já as equipes que escolheram uma rota mais afastada tiveram maior dificuldade para avançar.


Entre os Big Boats, seis embarcações protagonizaram alguns dos momentos mais impressionantes do dia. Outro destaque foi o confronto entre Marilee, Chinook e Rowdy, três representantes do projeto NY 40 que transformaram parte da prova em uma verdadeira disputa no estilo match race.


Hallowe’en assume liderança dos Big Boats


Após a primeira regata, o Hallowe’en, comandado por Inigo Strez, assumiu a liderança provisória da categoria Big Boats. O Viveka, de Keith Mills, terminou na segunda posição, enquanto o Cambria, de Chris Barkham, ficou em terceiro.


Na categoria Gaff Vintage, o Scud, de Patrizio Bertelli, começou na frente. Rowdy, de Donna Dyer, aparece em segundo, seguido pelo Chinook, de Paolo Zannoni.


O Leonore, de Mark Faulkner, lidera entre os Marconi Vintage, à frente do Stormy Weather, de Christopher Spray, e do Emilia Prima, de Luigi Guarnaccia.


Na categoria Classic, a liderança ficou com o Crivizza, de Ariella Cattai. O Corsaro II, da Marinha Italiana, ocupa a segunda posição, e o Penelope aparece em terceiro.

Entre os Classic IOR, o Ojalà, de Susan Carol Holland, ocupa a primeira colocação, seguido pelo Airone V, de Albano Giuseppe.


Na classe Cruiser, o Eugenia V, da Samanna Yachting, abriu a competição na liderança. Star Sapphire, de Jacob Glatz, ficou em segundo, e Vistona, de Giovanni Battista Borea d’Olmo, terminou o dia na terceira posição.


Na Spirit of Tradition, o Flight of Durgan, de David e Alexandra Grylls, lidera a classificação, seguido por Freya, de Luca Celeghini, e Pareltje, de Pieter Taselaar.


A categoria Swan Classic tem o Matchless, de Giacomo Bei, na primeira colocação provisória. Lithian, de Cattaneo e Mascheroni Stianti, aparece em segundo, enquanto Grampus II, de Matteo D’Agostino, ocupa o terceiro lugar.


As classificações ainda são provisórias e poderão sofrer alterações ao longo dos próximos dias de competição.


Torben Grael e campeões mundiais reforçam o nível da competição


A edição comemorativa também reúne nomes que marcaram a história da vela internacional.


O brasileiro Torben Grael integra a equipe do Scud, ao lado de Max Galli e Francesco Binetti Pozzi. Bicampeão olímpico e um dos velejadores mais reconhecidos mundialmente, Grael acrescenta ainda mais relevância esportiva à competição.


Também foram vistos nos cais e nas embarcações nomes como Mauro Pelaschier, a bordo do Leonore; Guido Cavalazzi, no Cariad; Beppe Zaoli, no Mariella; Claudio “Ciccio” Celon, no Jill; e Nando Colaninno, no Chinook.


A presença de campeões mundiais e veteranos da America’s Cup evidencia que a Argentario Sailing Week não é apenas uma celebração histórica. Apesar da elegância e do valor patrimonial das embarcações, as disputas na água são conduzidas em alto nível técnico.


Cariad celebra 130 anos navegando novamente


Entre os protagonistas da edição está o Cariad, veleiro de 36 metros lançado em janeiro de 1896 pelo estaleiro Summers & Payne, em Southampton, na Inglaterra.

O nome Cariad significa “querido” ou “amor” em galês. Projetada por A.E. Payne, a embarcação iniciou sua trajetória esportiva na tradicional Cowes Week e conquistou a Copa Vasco da Gama, em Lisboa, em 1898.


Ao longo de sua história, o veleiro passou por diferentes proprietários, mudanças de nome, viagens internacionais e uma circum-navegação realizada entre 1920 e 1922. Também navegou pelo Mediterrâneo, Malta, Japão, Singapura e Taiwan.

Depois de enfrentar períodos de abandono e sucessivos processos de recuperação, o Cariad passou por uma reconstrução completa, concluída em 2024.


Atualmente pertencente a Tim Hartnoll, o veleiro chegou a Porto Santo Stefano como um símbolo da tradição náutica britânica e do trabalho de preservação do patrimônio naval internacional.


A embarcação possui 36 metros de comprimento, 6,60 metros de boca, calado de 3,60 metros e uma tripulação formada por 23 integrantes. Sua construção reúne materiais como mogno, pinho, aço e teca, revelando diferentes fases da evolução da arquitetura naval.


Celebrar os 130 anos do Cariad com a embarcação novamente navegando e competindo representa um dos momentos mais simbólicos da 25ª Argentario Sailing Week.


Palinuro amplia o espetáculo em Porto Santo Stefano


O navio-escola Palinuro permanece atracado no cais Garibaldi, em Porto Santo Stefano, e integra a programação comemorativa até domingo, 28 de junho.

Com 69 metros de comprimento, o veleiro da Marinha Italiana é um dos principais símbolos da tradição marítima do país. Durante o evento, a programação prevê períodos de visitação pública a bordo.


A presença do Palinuro cria um encontro especial entre diferentes gerações da navegação: de um lado, os iates clássicos e vintage preservados por armadores e equipes especializadas; do outro, uma embarcação dedicada à formação de novos profissionais do mar.



Regatas continuam até domingo


A Argentario Sailing Week – Miramis Trophy prossegue com novas regatas até domingo, quando serão conhecidos os vencedores das oito categorias e dos troféus especiais.

A cerimônia de premiação está prevista para as 18 horas, no Race Village instalado no píer de La Pilarella.


Mais do que conservar embarcações históricas, a competição mostra que esses barcos continuam vivos, navegando e enfrentando disputas de alto nível. Em Porto Santo Stefano, a história da vela não está apenas exposta: ela está novamente em movimento.


Por: Redação Mundo Mar

Fotos: Marco Solari e Valerio Pollio

 
 
 

Comentários


bottom of page